7/13/2009

Será que o púlpito é lugar de mulher?

Ministério Pastoral Feminino em debate
Rev. Marco Antonio de Oliveira

Após participar de vários debates sobre a autenticidade e biblicidade do ministério feminino, em especial no que tange à ascensão da mulher ao ministério pastoral, resolvi escrever sobre o assunto. Ainda que eu entenda que, no atual momento histórico da Igreja, este tipo de discussão não devesse mais ser alvo de nossa atenção, lamentavelmente, ainda encontramos, entre os setores evangélicos mais conservadores, uma enorme dificuldade na aceitação do ministério pastoral feminino. Devido a isso, sinto-me impulsionado a escrever sobre o assunto.

I.Deus comissionou tanto o homem quanto a mulher.

Ao lermos o relato do livro de Gênesis, percebemos que Deus não somente comissionou o homem. Está claro no texto que Deus delegou tanto ao homem quanto à mulher, ambos criados a sua imagem e semelhança (cf. 1.27), uma missão. Disse-lhes Deus: “Sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a terra e sujeitai-a; dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus e sobre todo animal que rasteja pela terra.” (1.27).

Isso significa afirmar que tanto a mulher quanto o homem estão em igualdade de direito e honra diante de Deus. São filhos queridos do grande criador de toda a terra. Ele, que tem o domínio pleno, foi quem estabeleceu que tanto a mulher quanto o homem exercessem domínio sobre a terra. Um domínio que não fosse tirano ou subjugador das espécies que habitavam sobre a face da terra. Ao contrário, somos chamados para exercer uma missão de protetores, de cuidadores da obra de Deus.
Se ambos têm a imagem e semelhança de Deus, e são por Ele comissionados, ambos estão aptos para servirem a Deus com integridade e totalidade.

II. O ministério pastoral é para aqueles/as que são chamados/as por Deus.

A ideia errônea de que Deus separou o ministério pastoral somente para o homem parte de uma concepção equivocada sobre o papel e o valor da mulher perante Deus. Essa concepção parte do princípio de que a mulher, por ser auxiliadora do homem (cf. Gn 2.18), não tem direito ou condições de ministrar como pastora diante de Deus. Essa é uma postura pequena acerca da obra divina, uma postura que não consegue perceber em Deus um ser que ultrapassa nossos perecíveis conceitos e paradigmas controversos.

Deus não está sujeito às minhas convenções. Ele é quem é o Senhor de toda a natureza, toda a terra e universo. Ele tem poder para estabelecer e derrubar reinos. Ele tem poder para conceder autoridade tanto às mulheres quanto aos homens.

O ministério pastoral é concedido pelo Espírito Santo, àqueles/as que Ele mesmo separou. Então, devo entender o ministério pastoral como um dom que é concedido pelo Espírito Santo que, segundo o apóstolo Paulo, concede dons àqueles/as a quem Ele quer. Ele, o Espírito Santo, é livre e soberano sobre a Igreja.

III.O ministério pastoral é um dom concedido pelo Espírito Santo.

O texto de 1Cor 12.1-11 nos ensina que “há diversidade nos serviços, mas o Senhor é o mesmo”. Afirma, também, que “Deus é quem opera tudo em todo”.

Se entendermos o ministério pastoral como um dom, um serviço concedido pelo Espírito Santo à Igreja, percebemos que Deus, segundo o seu Espírito, pode concedê-lo tanto aos homens quanto às mulheres. Pois, segundo o mesmo texto relatado acima, “a manifestação do Espírito é concedida a cada um, visando a um fim, um proveito”. O texto ainda afirma que: “mas um só e o mesmo Espírito realiza todas estas coisas, distribuindo-as, como lhe apraz, a cada um individualmente”.

Precisamos estar atentos ao texto do apóstolo Paulo, escrito aos romanos, quando ele nos ensina que fazemos parte de um só corpo, e somos um mesmo corpo em Cristo Jesus (cf. Rm 12.4-5).

Vejamos o texto na íntegra:

“Porque pela graça que me foi dada, digo a cada um dentre vós que não pense de si mesmo além do que convém; antes, pense com moderação, segundo a medida da fé que Deus repartiu a cada um. Porque assim como, num só corpo, temos muitos membros, mas nem todos os membros têm a mesma função, assim, também nós, conquanto muitos, somos um só corpo em Cristo, e membros uns dos outros, tendo, porém, diferentes dons, segundo a graça que nos foi dada: se profecia, seja segundo a proporção da fé; se ministérios (aqui se incluem todos os serviços prestados na obra de Deus, inclusive o ministério pastoral), dediquemo-nos ao ministério; ou o que ensina [...]; o que preside, com diligência; quem exerce misericórdia, com alegria.” (Rm 12.3-8).

Aprendemos que os dons são concedidos pelo Espírito Santo à Igreja, levando-se em consideração a soberana vontade de Deus e as necessidades do corpo de Cristo. Ora, os dons não são concedidos, levando em consideração o gênero masculino ou feminino, mas, sim, a vontade de Deus e as necessidades da Igreja. Sendo assim, não há nenhum impedimento que uma mulher receba o dom do ministério pastoral, dom de serviço, dom de presidência.
Se acreditarmos que há impedimento por parte de Deus em conceder alguns dons aos homens e outros distintos às mulheres, ou que somente concede dons para homens ou para mulheres, estaríamos afirmando, indiretamente, que Deus faz acepção de pessoas, fato que não é verdadeiro. Deus concede dons à sua Igreja, para sua honra e glória.

IV.A crítica da ausência do substantivo feminino do texto original.

Os opositores do ministério pastoral feminino usam, dentre outros, o argumento de que nos textos do Novo Testamento, em nenhum momento, é usado o substantivo feminino em relação ao ministério pastoral. E, devido a isso, os mesmos afirmam que não há base bíblica para o ministério pastoral feminino na Igreja. Ora, todos sabemos que a língua grega, língua usada na elaboração dos textos paulinos e outros, assim como a língua portuguesa, são línguas que dão preferência ao uso do gênero masculino. Sendo assim, raramente encontraríamos nos textos o uso da expressão pastora em detrimento da expressão pastor; a expressão mestra em detrimento de mestre; ou diaconisa como preferência ao uso da expressão diácono.

Porém, a ausência de expressões do gênero feminino para designar pastoras ou profetisas nas cartas de Paulo não pode ser visto como um impedimento para que a Igreja atual, que vive em uma outra circunstância histórica, onde a mulher, sua importância, capacidade e vocação são destacadas, não consagre pastoras ou episcopisas. Entendo que Deus não faz distinção de gênero. Ele não fez uma aliança somente com os homens (varões), mas com todas as pessoas que vieram até Ele por intermédio de Jesus Cristo.

Os opositores do ministério feminino deveriam usar o mesmo critério para negar a possibilidade de ascensão das mulheres no exercício de outras funções na Igreja, visto que também não encontramos no Novo Testamento termos como: professora de Escola de Dominical, Diaconisa, Profetisa (não encontrados nas cartas pastorais), cantoras, mulheres dirigentes de corais, de congregações, missionárias mulheres evangelistas, etc.

Vale destacar que, na época em que os textos bíblicos foram escritos, não se tinha noção de linguagem inclusiva ou de uma linguagem de cunho não sexista.

A oposição ao ministério pastoral feminino é mais percebida entre os pentecostais clássicos e evangélicos tradicionalistas. Por que estes grupos não se opõem ao fato de que mulheres são batizadas com o Espírito Santo, em suas reuniões (falo dos grupos pentecostais), visto que também a Bíblia não relata nenhum episódio dessa natureza relacionado diretamente ao sexo feminino? Por que não se opor ao fato das mulheres terem o dom de variedade de línguas, visto que também o texto bíblico quando fala deste importante dom e outros (cf. 1 Co 12.8-11) usa uma expressão que está no masculino e não no feminino? Ex: a outro, no mesmo Espírito, dons de curas [...] a um, variedade de línguas, etc.

Repito, o fato de não encontrarmos a expressão pastora no texto bíblico do Novo Testamento não consiste num impedimento para a consagração de mulheres ao ministério pastoral. Se Deus as chamou e as capacitou, quem somos nós para nos opormos à vontade soberana de Deus, visto que não há nenhum texto bíblico que proíba a consagração de mulheres ao ministério pastoral.

Um outro fator que deve ser levado em conta, quando lemos os textos bíblicos, está relacionado com o momento histórico em que Igreja do primeiro século estava inserida, momento que difere grandemente do nosso. Hoje, as mulheres estão cada vez mais ocupando seus espaços junto à sociedade. Por que isto não ocorreria na Igreja?

Logo, não há nenhuma base bíblica para negar a autenticidade do ministério pastoral feminino. Como já afirmei acima, o Espírito Santo concede dons às pessoas como lhe apraz.!

A Igreja é chamada para romper com as tradições que tanto impediram os fariseus e saduceus de entender a revelação de Deus através de Cristo. Deus chama homens e mulheres para o seu serviço na seara santa, sem distinção de cor, sexo, ou nacionalidade.

V.A Bíblia destaca várias mulheres que foram usadas poderosamente por Deus.

Ao lermos a Bíblia, percebemos inúmeros textos que relatam o importante trabalho desempenhado por mulheres em vários momentos históricos experimentados tanto por Israel quanto pela Igreja do Senhor. Várias mulheres desenvolveram o pastoreio tanto em Israel quanto na Igreja. Mulheres que aconselhavam, que visitavam, que oravam, que cuidavam dos crentes, que presidiam igrejas em suas casas, etc. Pastorear é cuidar, zelar, visitar, discipular, acompanhar, é ministrar os sacramentos, é batizar, e isso, algumas mulheres fazem melhor que alguns pastores.

A Bíblia enumera nomes de algumas mulheres consideradas notáveis na história tanto de Israel quanto da Igreja. Em se tratando da história da Igreja, encontramos dezenas de testemunhos que destacam que várias mulheres desempenharam importante papel quanto ao desenvolvimento, edificação e pastoreio da Igreja do Senhor.

Dentre os testemunhos bíblicos sobre o importante trabalho desenvolvidos pelas mulheres, tanto em Israel quanto na Igreja, destacamos:

a)Débora: Juíza – profetisa - conselheira e pastora de Israel (cf. Jz 4.4);
b)Ana: profetisa (cf. Lc 3.36);
c)Hulda: profetisa (cf. Rs 22.14);
d)Noadia: profetisa (cf. Rs 22.14);
e)Filhas de Filipe: profetisas (cf. At 22.9);
f)Rute – ascendente de Jesus Cristo – moabita – (cf. livro de Rute);
g)Júnia – Considerada apóstola pela tradição da Igreja (cf. Rm 16.7 );
h)Miriam: Profetisa (cf. Ex 15.20);
i)Febe: obreira da Igreja, considerado como nobre em talento e honra (cf. Rm 16.1-2);
j)Priscila: obreira da Igreja que dirigia uma igreja que se reunia em sua casa – missionária – discipuladora de Apolo (cf. At 18.26; Rm 16.3);
k)Lídia – abrigava uma igreja em sua casa;
l)A samaritana: mulher evangelista (cf. Jo 4.29);
m)Maria, mãe de Jesus, mulher que acompanhou o surgimento da Igreja e estava presente na primeira reunião de oração de seu estabelecimento, e que exerceu influente ministério junto à comunidade nascente(cf. At 1.14);

Conclusão:

Para concluir este brevíssimo ensaio, repasso aos/às leitores/as, e, em especial, aos opositores ao ministério pastoral feminino, a pergunta motivadora que perpassa todo o texto: Por qual razão Deus não delegaria às mulheres este importante ministério, o ministério pastoral?



O reverendo Marco Antonio de Oliveira é pastor titular da Catedral Metodista do Rio de Janeiro, conferencista, terapeuta de família, psicanalista clínico, especialista e doutorando em Teologia.

Fonte: Portal Elnet


Presbiterianismo festeja 150 anos

Em comemoração aos 150 anos da chegada do Presbiterianismo ao Brasil, vários eventos acontecerão em diversos estados do país. No Rio de Janeiro- capital escolhida para ser palco dos festejos- nesta sexta-feira às 18h, serão inaugurados a Praça João Calvino e o Espaço Guignard, no Centro da cidade, em frente à Catedral Presbiteriana, localizada na rua Silva Jardim.


Na ocasião, será celebrado também o aniversário de 500 anos do nascimento do francês João Calvino, um dos grandes responsáveis pela Reforma Protestante. O evento contará com a participação do prefeito Eduardo Paes e do deputado federal Arolde de Oliveira.


A solenidade contará com a participação do coral africano "Amor do Senhor", formado por 15 congoleses e angolanos todos exilados políticos que foram perseguidos em seus países e escolheram o Brasil para morar, que promete ser a grande atração da festa. No dia 12 de agosto, será o ponto mais alto das comemorações, data da chegada do pastor americano Ashbel Simonton, que introduziu a fé protestante no país.


O Reverendo Ashbel Green Simonton (1833-1867) nasceu em West Hanover, na Pensilvânia. Em 1855, fez sua profissão de fé e ingressou no Seminário de Princeton. Três anos depois, candidatou-se perante a Junta de Missões Estrangeiras da Igreja Presbiteriana dos Estados Unidos para realizar trabalhos missionários no exterior e citou o Brasil como campo de sua preferência. Após ser ordenado, embarcou para o Brasil, chegando ao Rio de Janeiro em 12 de agosto de 1859, aos 26 anos.


No dia 22 de abril de 1860, dirigiu seu primeiro culto em português, e em janeiro de 1862 fundou a Igreja Presbiteriana do Rio de Janeiro. Em 1864, Simonton lançou o primeiro jornal evangélico do país, o Imprensa Evangélica. Ele morreu vítima de febre amarela, aos 34 anos.


A Igreja Presbiteriana do Brasil (IPB) surgiu em 1859, fruto do trabalho missionário da Igreja Presbiteriana dos Estados Unidos. O nome decorre do fato de ela ser administrada por presbíteros, eleitos pelas igrejas locais. Estas igrejas são governadas por um Conselho, que integram, respectivamente, os Presbitérios, os Sínodos e o Supremo Concílio. A IPB é herdeira do pensamento do reformador João Calvino, que no século XVI, em Genebra, deu seguimento à Reforma Protestante iniciada por Martinho Lutero, na Alemanha.


Fonte: Portal Elnet