9/29/2008

Os riscos do excesso de vaidade

É importante que se cuide da aparência, mas tudo com moderação


O Brasil é o recordista mundial em uma categoria um tanto preocupante: cirurgias plásticas. Os dados são da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP). As estatísticas mostram que no ano 2000, aproximadamente 350.000 pessoas se submeteram ao bisturi por razões puramente estéticas, passando a frente dos Estados Unidos, tradicionais campeões nesta área.

Em 2004, o Brasil realizou 616.287 mil cirurgias plásticas, destas 59% foram estéticas. A preocupação com a beleza é algo necessário e saudável, sabendo que o corpo é o templo do Espírito Santo ele deve estar sempre apresentável e bem cuidado. Porém, nada deve ser feito em excesso.

O pastor e mestre em psicologia, Wander Gomes, titular da Primeira Igreja Batista (PIB), do Recreio, no Rio de Janeiro, diz que é bom estar atento com a estética do corpo de forma natural. "É importante cuidar da sua estima, mas quando a pessoa se importa demasiadamente e causa uma superpreocupação com a estética invertendo a escala de valores, isto vai fazer mal a ela mesma", esclarece, o pastor.

O pastor Wander Gomes ressalta ainda que existe uma passagem Bíblica no livro de I Samuel, quando Deus diz que não olha para a aparência, e sim para o coração do homem e o Senhor disse a Samuel: "Não atentes para a aparência, nem para a altura da sua estatura, porque o tenho rejeitado; porque o Senhor não vê como vê o homem. Pois o homem vê o que está diante dos olhos, porém o Senhor olha o coração", I Samuel 16.7.

Uma orientação dada pelo apóstolo Paulo também é citada pelo pastor Wander: "Porque o exercício corporal para pouco se aproveita, mas a piedade para tudo é proveitosa", I Timóteo 4.8. "Não significa que exercício não seja bom, mas não é o principal. Basta não transformar isso em uma neurose quando a estética vai fazer mau e causar problemas de relacionamento, passando a ser o centro de todas as suas atenções gerando e reforçando o egoísmo", orienta.

Não ter cuidado algum, não seria o correto

A psicóloga cristã Elisabeth Pimentel diz que a falta de cuidados com a aparência também não é a atitude certa. "Existem alguns casos no meio evangélico de mulheres que se asseguram no fato de serem casadas com homens comprometidos com Deus e ficam até descuidadas e isso vai ser prejudicial ao relacionamento", afirma. Ela diz também que de maneira geral acontece um prejuízo financeiro muito grande de pessoas que se preocupam demasiadamente com a vaidade.

"Nos dias atuais isto é um gerador de dinheiro. Estamos vivendo este tempo de ascensão da vaidade, é a época da supervalorização do corpo que pode levar indivíduos para a morte, como vemos em casos de homens e mulheres desesperados que procuram pelos serviços de clínicas sem profissionalismo ou especialização.

Isto tem levado pessoas a deixar de pensar em cuidar do relacionamento entre marido e mulher e se preocupar por exemplo apenas com próteses de silicone nos seios, acreditando que isto vai salvar o casamento, se esquecendo que precisa investir em outras coisas", explica Elisabeth.

A psicóloga afirma que vê as situações atuais sendo destorcidas. Para ela, vivemos em uma cultura que alimenta a vaidade em todo o tempo exigindo que as pessoas sejam "poderosas". Analisando este fato, nos remetemos a um mal que assola a sociedade atual: a anorexia nervosa, um distúrbio que pode provocar problemas psíquicos gravíssimos.

A pessoa que sofre esta alteração tem fixação pelo emagrecimento e um pânico de engordar, se vendo obesa mesmo quando já está na realidade esquelética. Então ela jejua, vomita, toma laxantes e diuréticos compulsivamente. Os motivos que levam ao problema ainda não estão muito bem definidos pela ciência, mas sabe-se que existe uma predisposição genética e a pressão da sociedade que dita mulheres extremamente magras como padrão de beleza e elegância neuroquímicas cerebrais. A mídia mostra a cada dia mais meninas que se desesperam para perder peso, sem se importar com o "preço" que irão pagar para conseguir ou se estão prejudicando sua saúde.

Elisabeth continua dizendo que sendo assim as pessoas acabam passando por cima dos próprios sentimentos para adquirir "poder" e status. E o fim disso tudo é um sentimento de vazio, pois ela deixa de investir naquilo que é certo e que realmente a faz feliz. "Isso é uma coisa que começa muito cedo, hoje existem crianças perdidas nesta loucura que é a vaidade. Vemos meninas de cinco, seis anos que não saem de casa sem passar um batom". Por tudo isso, fica claro que o mais importante é o que está dentro do coração, lembrando que cuidado com a aparência não é pecado, mas sempre com a dosagem certa.
Fonte: Portal Elnet